
Há poucos dias, minha sobrinha, enfermeira, contou-me, bastante preocupada, que havia levado a filha ao oftalmologista por causa de uma inflamação no olho. Ao ver a fotografia da criança, percebi logo que se tratava de um hordéolo, uma inflamação muito comum, especialmente na infância, conhecida popularmente como terçol. Na maioria das vezes, o tratamento é simples, com compressas mornas e cuidados locais.
A preocupação da mãe da criança fez-me voltar quase cinquenta anos no tempo e lembrar de uma aula de oftalmologia que perdi quando cursava Medicina, em Recife. Quase no final do curso, quando começávamos as disciplinas clínicas, chegou a vez da Oftalmologia. Eram cadeiras rápidas, com muito conteúdo para estudar em pouco tempo. Naquela época, a Oftalmologia me parecia particularmente complicada: ângulos, lentes, graus, cálculos e toda aquela história dos óculos exigiam certa dose de paciência e acabavam provocando algum desânimo nos estudantes. Numa dessas tardes, resolvi ir ao cinema, sacrificando uma aula. Antes, pedi a um colega que assinasse a frequência por mim.
No dia seguinte, quando o encontrei, veio a surpresa:
– Você perdeu a melhor aula de Oftalmologia!
Perguntei, curioso, qual havia sido o assunto.
– A aula de Treiçol e Dordói!
Era a maneira bem-humorada de se referir ao hordéolo e à conjuntivite, duas afecções extremamente comuns na prática médica.





