
João Teixeira, meu tio-avô, nunca se casou. Ainda na adolescência, sofreu um grande desengano amoroso e decidiu seguir a vida sozinho. Para preencher o vazio deixado pela frustração, encontrou nos livros uma companhia fiel.
Todo o dinheiro que conseguia economizar era investido em obras para a sua biblioteca. Lia durante horas, todos os dias. Naquele tempo, em que não havia internet e as bibliotecas eram raras nas pequenas cidades, sua casa transformou-se, na prática, em uma biblioteca pública. Estudantes iam procurá-lo em busca de orientação para trabalhos escolares, sugestões de leitura e esclarecimento de dúvidas. João Teixeira tornou-se uma verdadeira enciclopédia viva da cidade.
Apesar da vasta cultura, conservava um humor irreverente. Sempre que encontrava uma moça conhecida, em vez de desejar “bom dia”, saudava-a com um inesperado:
— Bundinha!
As jovens sorriam, sem entender muito bem a estranha saudação. Até que, certo dia, uma delas, mais ousada, resolveu perguntar:
— Seu João Teixeira, por que o senhor diz “bundinha”, em vez de “bom dia”?
Sem hesitar, ele respondeu, com a maior naturalidade:
— Por nádegas.