
A Motocicleta…
O estado do Ceará, em 2025, segundo dados de órgãos fiscalizadores, evidencia que os motociclistas continuam sendo o grupo mais vulnerável no trânsito. Embora ainda não exista um único relatório estadual que reúna exclusivamente todos os acidentes envolvendo motocicletas, sabe-se que uma parcela expressiva das mortes no trânsito envolve esse tipo de veículo.
Os motociclistas representam a maioria das vítimas fatais nas vias cearenses. Homens entre 18 e 39 anos constituem o perfil predominante dos óbitos. Excesso de velocidade, consumo de álcool, ultrapassagens perigosas, imprudência e o uso inadequado de equipamentos de proteção permanecem entre os principais fatores associados aos acidentes.
Grande parte dessas mortes poderia ser evitada por meio de políticas públicas mais eficazes, fiscalização permanente, educação para o trânsito e infraestrutura adequada. A perda de jovens não representa apenas a dor irreparável de uma família; significa também um enorme prejuízo social e econômico para o país, que deixa de contar com vidas produtivas interrompidas precocemente.
O Projeto Receitando Cordel”, que alerta a população sobre os principais problemas de saúde pública no distrito de Caipu, em Cariús (CE), desenvolveu um trabalho abrangente na rede pública de ensino, envolvendo estudantes, educadores, famílias e diversos segmentos da sociedade. Após anos de orientação e conscientização de jovens e adultos, eis o diálogo recente que tive com uma paciente, logo após a morte de uma jovem em um acidente de motocicleta. Ela ainda buscava uma explicação para uma tragédia cuja responsabilidade insistia em atribuir ao lugar errado.
– Dr. Sávio, eu descobri que moto é um bicho que não pensa. Imagine o que ela fez com minha sobrinha.
Estático, compreendi que naquela frase havia mais do que lógica. A motocicleta não pensa; quem deve pensar é quem a conduz e também quem legisla, fiscaliza, educa e planeja o trânsito. Quando todos falham, a culpa recai sobre a máquina, enquanto os verdadeiros responsáveis permanecem invisíveis.